É absurdo considerar o PT apenas como o partido-símbolo da corrupção. Ou: a luta é contra algo ainda pior.

É absurdo considerar o PT apenas como o partido-símbolo da corrupção. Ou: a luta é contra algo ainda pior.

Recente pesquisa mostrou que os petistas hoje são considerados pelo povo brasileiro como o partido-símbolo da corrupção, o que pode dar para muitos a sensação de que está justiça está sendo feita em relação ao senso comum.

Mas ainda falta algo. Não podemos apenas demonstrar o PT como o partido-símbolo da corrupção, mas como o partido-símbolo de algo que vai muito além da corrupção tradicional: um projeto totalitário de poder com base em corrupção.

A diferença é simples: a corrupção é qualquer ato de se corromper para obtenção de vantagens ilícitas em negociatas ou quaisquer outras funções.  Já um projeto totalitário de poder utiliza os eventos de corrupção ao máximo para destruir as instituições e comprar poder, para que finalmente a corrupção se torne o núcleo mantenedor do sistema.

É por isso que países totalitários levam a corrupção a um nível ainda maior do que vemos no Brasil. A corrupção endêmica estabelecida pelo PT só chegou a tal dimensão porque sustentava a criação de um projeto totalitário que, no final, foi derrubado (e apenas parcialmente, pois ainda temos trabalho pela frente).

A diferença mais clara da simples corrupção para o projeto totalitário de poder baseado em corrupção se vê na Rússia: ali um quilômetro de estrada custa 36 vezes do que custaria nos Estados Unidos. É evidente que o totalitarismo cria brechas no estado para que a corrupção alcance níveis diluvianos. Corrupção é algo que ocorre nos Estados Unidos e na Europa. Já projetos totalitários de poder com base em corrupção é o que aconteceu no governo petista, bem como é o que acontece na Rússia, na China e em todos os países plenamente socialistas.

Por isso, é preciso tomar cuidado com manifestações “contra a corrupção”. Claro que elas são eficientes, mas estabelecem um radar incapaz de perceber algo muito pior: os projetos totalitários baseados na corrupção.

O ser humano é uma máquina de percepção. Ou seja, ele reage aos eventos do mundo de acordo com suas percepções sobre os eventos. Se as percepções estão nubladas, suas ações serão desfocadas.

Imagine, por exemplo, que os Julgamentos de Nuremberg – que julgaram os crimes nazistas – não falassem de genocídio, mas apenas de “agressão”. Obviamente, teríamos um erro de percepção, pois o que Hitler praticou é algo muito maior do que apenas “agressão”. Agressão é o pontapé que um sujeito dá no outro em um jogo de futebol. Agressão é o escracho que adversários políticos fazem diante de outro. Claro que o genocídio de Hitler se baseou em agressão, mas foi muito além da tradicional agressão.

Quer dizer: é claro que devemos nos posicionar contra a “agressão” – um mundo mais pacífico e com menos agressões é sempre melhor -, mas não é só contra isso que o mundo lutou quando se posicionou contra Hitler, assim como não é apenas contra isso que o Brasil está lutando quando se posiciona contra os projetos totalitários de poder com base em corrupção. Podemos até encontrar um termo mais simples: organizações criminosas, conforme aponta Marco Villa.

O que importa é tomar muito cuidado com manifestações “contra corrupção”. A luta é contra algo muito pior do que apenas corrupção, que já é um flagelo em si. Mas o flagelo trazido pelas organizações de corrupção totalitária é muito mais devastador.

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